Letreiro de neon numa parede de madeira: "Si no es ahora... ¿Cuándo?" (Se não for agora, quando?)
Cuaderno de Córdoba · Dia 2 de 4 · TCI Global Conference 2026

Entre o aperto de mão e o resultado

Doze rodadas de quinze minutos, um laboratório público e um painel sobre economia circular. Uma mesma pergunta: o que sustenta uma conexão quando a mesa se desfaz.

Leandro Pasini e Maria Augusta MiglinoCórdoba, 29 de outubro de 2026Leitura de 4 minutos

O segundo dia do TCI mudou de ritmo. Sob as pinturas da Capilla del Buen Pastor, dezenas de mesas numeradas e, a cada quinze minutos, o aviso de troca de rodada. Doze rodadas num só dia. A sessão que abriu a manhã tinha um título com tom de alerta: From Handshakes to Hard Outcomes, do aperto de mão aos resultados concretos.

Arcos, colunas e pinturas murais da Capilla del Buen Pastor, em Córdoba
A Capilla del Buen Pastor, sede do Cluster Match Day. Foto: FuturAct.

Quinze minutos bastam para reconhecer uma afinidade. Não bastam para construir nada. O que vem depois depende do que não está sobre a mesa, e a própria organização sabia disso: distribuiu um modelo de memorando de entendimento, para que as conversas do dia tivessem um primeiro documento em que se apoiar. Ao longo do dia, encontramos três respostas a essa pergunta. Um lugar, uma pessoa e uma instituição.

Um lugar para testar. Uma das nossas conversas foi com o CEPROCOR, o centro público de pesquisa e desenvolvimento da Província de Córdoba. Tem 34 anos, cerca de 150 pesquisadores e tecnólogos, e atua em alimentos, saúde e meio ambiente com uma vocação clara: mais desenvolvimento do que pesquisa, sempre a partir do que a indústria precisa e do que hoje é importado e poderia ser oferecido localmente. Reúne 17 laboratórios e uma planta piloto de fármacos que atende à regulação, o que permite algo pouco comum: levar um desenvolvimento da escala de laboratório a uma escala intermediária antes do salto para a indústria.

O risco de passar do laboratório a uma escala grande é muito grande. Ter infraestrutura intermediária ajuda a reduzir esse risco.

Da equipe do CEPROCOR, numa das reuniões do dia.

Em alimentos, o centro trabalha com secagem por spray e microencapsulação; um dos desenvolvimentos em curso é um mel em pó que funciona como veículo de proteínas e fibras. O que mais valorizam os que chegam de fora, nos contaram, é poder resolver num mesmo lugar uma grande parte do caminho de um desenvolvimento. Por isso o centro quer abrir essa infraestrutura a mais projetos, em especial a empreendimentos de base científica. A pergunta que ficou sobre a mesa foi, no fundo, outro tipo de match: que tecnologias os empreendedores querem desenvolver e quais o centro poderia ajudar a acelerar.

Uma pessoa que construa o caminho. A conversa tocou em duas dificuldades que não são de Córdoba, e sim de qualquer sistema de inovação. A primeira é a do pesquisador que quer empreender e fica entre dois mundos, com regras pensadas para a academia e decisões que pedem outra formação. A segunda é o financiamento internacional: os editais pedem parceiros de outros países já articulados, e quando o prazo se abre já é tarde para se conhecer.

Maria Augusta trouxe para a mesa uma experiência própria. No Brasil, ela coordenou um programa em que startups de base científica recebiam, de um lado, preparação em gestão de negócios e, do outro, a validação das suas tecnologias em laboratório, dez por vez. O que ela aprendeu é que nenhuma das duas partes resolve isso sozinha. O laboratório oferece a prova; alguém precisa oferecer o caminho.

Uma instituição que reúna. À tarde, a sessão da CEPAL sobre iniciativas de cluster e economia circular levou a mesma pergunta a outro setor. Para uma pequena empresa, a transição circular esbarra em barreiras que nenhuma empresa resolve sozinha: volumes pequenos, logística cara para quantidades pequenas, falta de dados e de rastreabilidade. A resposta do painel foi a articulação. Um cluster permite ganhar escala, compartilhar infraestrutura, como um centro de coleta, e construir a confiança de que todo o resto depende.

Os casos mostraram isso. Em Querétaro, o cluster automotivo atua há quatro anos como habilitador de conhecimento dentro das empresas, desenvolvendo competências próprias para a economia circular. Em Córdoba, o Cluster de Bioenergias reúne plantas que geram energia a partir de resíduos agroindustriais e planeja um parque de energia renovável comunitário, híbrido, para abastecer as próprias empresas. Entre os exemplos citados, uma empresa de embalagens de madeira deixou de vender paletes: hoje vende um serviço.

O nível do meio. Um lugar, uma pessoa, uma instituição: as três respostas ocupam o mesmo espaço, e há um conceito que lhe dá nome. A competitividade sistêmica, formulada nos anos 1990 no Instituto Alemão de Desenvolvimento, sustenta que a competitividade não depende só de empresas eficientes e de uma macroeconomia estável. Entre as duas existe um nível meso: agências, centros tecnológicos, universidades, câmaras e clusters que fazem a ponte. Na abertura da sua sessão, a CEPAL lembrou que a plataforma que mantém já registra cerca de 480 iniciativas de cluster na região, e que elas ainda não ocupam necessariamente um lugar central nas políticas de desenvolvimento produtivo. Aí está o trabalho: fazer com que o meio deixe de ser um lugar de passagem e passe a ser parte da política.

O que muda para quem desenha programas

Financiar o degrau do meio.A escala intermediária e a validação em laboratório reduzem um risco que nenhuma rodada de negócios resolve.
Compartilhar o que ninguém resolve sozinho.Volume, logística e dados são problemas de escala. Um cluster pode resolvê-los em conjunto.
Dizer quem sustenta a ponte.Cada conexão promissora precisa de uma pessoa ou instituição responsável pelo que vem depois. O memorando é o primeiro passo, não o último.

No seu programa, quem cuida do que acontece depois do aperto de mão?

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