Um cluster para vender ou para inovar?
Quatro visitas e três clusters em um dia. O que se mede são as vendas; o que preocupa é o futuro.
No fim de um dia percorrendo Córdoba, entre uma empresa de software, a central de controle da EPEC (empresa estatal de energia da Província de Córdoba), outra empresa de software e um centro de design de chips, um colega de uma agência europeia de competitividade resumiu o que tínhamos visto numa frase que nos acompanhou até a noite.
Um cluster não existe para aumentar as vendas. Existe para gerar inovação.
Um colega de uma agência europeia de competitividade, no encerramento das visitas.
Não é uma pergunta sobre Córdoba. É a pergunta de qualquer cluster que já aprendeu a vender, e também a nossa, como consultores que desenham programas.
Na véspera, num jantar, um especialista com longa trajetória em políticas de clusters tinha nos dito o mesmo com outras palavras: representar as empresas não basta; uma associação precisa existir para mudar. E deu o exemplo de um cluster de curtumes com o qual trabalhou. A estação de tratamento de água que as empresas construíram juntas, sem dinheiro público, acabou se transformando numa tecnologia que hoje vendem a outros países. Anos depois, em León, no México, um técnico resumiu a história numa linha: “Já não vendemos couro, vendemos tecnologia”.
O que se mede são as vendas. As apresentações do Córdoba Cluster, do Cluster BIM e do Cluster de Videogames compartilham o mesmo foco: gerar oportunidades de negócio e abrir mercados. As iniciativas que mostram resultados são de conexão comercial: rodadas de negócios com 160 participantes, uma Tech Week com mais de 4.500 pessoas, missões internacionais. O modelo funciona e dá ao cluster algo valioso: ele se financia com seus associados e não depende das trocas de governo.
O que preocupa é o futuro. Na tela do Córdoba Cluster, sob o título "What keeps us up at night", estava a outra agenda: antecipar o que vem e sustentar uma visão de longo prazo. O próprio cluster já mede a adoção, não só a capacitação.
What keeps us up at night
How to stay ahead of the curve, anticipate what's next in technology, and keep Córdoba Cluster at the forefront through a long-term vision and concrete initiatives.
Nas empresas de software, a inteligência artificial já escreve boa parte do código, e o que ficou escasso é outra coisa: definir bem o problema. Na Avenga, o analista de negócios, que parecia fadado a desaparecer, tornou-se peça-chave. Se o requisito está mal escrito, a máquina inventa.
A inovação aparece onde o conhecimento encontra o problema de outro setor. O centro de design de chips da Marvell nasceu de um laboratório universitário e hoje desenvolve chips para data centers. O Cluster BIM trabalhou primeiro em diagnóstico e capacitação dentro do Ministério de Infraestrutura e, depois, lado a lado em obras em andamento. O Cluster de Videogames quer levar a simulação para a formação de técnicos industriais. Nos três casos, a rede comercial abriu a porta; a inovação apareceu no trabalho dentro do problema de outro setor.


O que muda para quem desenha programas
Como se mede o que um cluster deixa, além dos negócios que gera?
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