Pertencer não é conectar
O terceiro dia do TCI falou de liderança, de governança e de tecnologia. Por baixo corria outra conversa: o que faz de um cluster algo mais do que a soma dos seus membros?
O TCI se instalou no Centro Cultural Córdoba, ao pé do Faro del Bicentenario: concreto, passarelas curvas e uma plenária que lotou cedo. Foi o dia dos grandes painéis, dos casos e da tecnologia. Mas a ideia que mais voltou não foi sobre inteligência artificial nem sobre financiamento. Foi sobre pessoas que se conhecem, ou que ainda não se conhecem.
O ponto cego. No Learning Journey do meio-dia, conduzido por Ulrich Harmes-Liedtke e Mónica Muñoz, da Mesopartner, o Córdoba Cluster contou o próprio caminho. Ele nasceu em 2001 com dez empresas de tecnologia que competiam entre si e decidiram cooperar. Hoje são mais de 300 membros, mais de 700 soluções, metade vendida para fora, e mais de 15 mil profissionais. E, mesmo assim, ao completar 25 anos, descobriram algo incômodo: quanto mais cuidavam das relações para fora, mais elas faltavam para dentro. Os próprios sócios mal se conheciam. A resposta foi o Pitch & Link, encontros em que as empresas se apresentam umas às outras e depois conversam em mesas. Primeiro a conexão; depois a confiança; só então uma agenda compartilhada.
A sessão deu nome a esse percurso. Há redes que defendem interesses juntas, redes que aprendem juntas e redes que inovam juntas, e cada passo pede mais confiança que o anterior. Quando a sala votou em que tipo de rede se reconhecia, quase um terço respondeu que não tinha certeza. Não é um dado ruim. É exatamente onde o trabalho começa.
O orçamento-chave é o do café: para que os líderes conversem, se conectem e criem confiança.
Joan Martí, ACCIÓ, na sua palestra sobre o modelo de clusters da Catalunha.
O que se financia. Joan Martí, da ACCIÓ, a agência de competitividade da Catalunha, chegou com 28 clusters e um alerta: sucesso não se mede pela quantidade. "Se tivéssemos 45, não seríamos mais felizes." No modelo dele, o financiamento é competitivo e por projetos, não pelo simples fato de existir. E a cooperação não é o objetivo: primeiro se entende para onde uma indústria precisa mudar, e depois se coopera para chegar lá. Por isso, disse, é difícil encontrar algo mais tedioso do que representar uma indústria, e algo mais instigante do que representar uma mudança nela.
À tarde, o programa de adoção de inteligência artificial da Província de Córdoba disse o mesmo com outras palavras. O programa une empresas produtivas a empresas de tecnologia locais para resolver problemas reais, e o que ele cofinancia não é o protótipo: é a relação, o encontro entre as duas. O que fica depois, se o encontro funciona, é uma aliança de longo prazo.

Os problemas sobre a mesa. O TecnoManí, a iniciativa de inovação aberta do cluster do amendoim, começou por onde quase ninguém começa: em vez de mostrar seus casos de sucesso, as empresas puseram seus problemas sobre a mesa. Reuniram mais de 30, priorizaram 15 e abriram uma chamada para startups, empresas de tecnologia e pesquisadores. Um dos resultados já funciona numa planta: classificadoras com inteligência artificial que reduziram em 32% o consumo de energia. No México, um cluster viveu algo parecido a partir de um conflito. Uma empresa contratou o técnico que outra tinha formado durante dez anos. Em vez de proibir ou expulsar, o cluster reuniu quinze empresas do setor, entendeu que o problema era a falta de técnicos e criou um programa de formação. Hoje são 500 técnicos formados e uma escola técnica. A tensão virou capacidade.
Pessoas antes do dinheiro. De Huánuco, no Peru, veio a frase mais simples do dia: "O dinheiro é importante, mas as pessoas são mais." Havia recursos nacionais para inovar; faltava capacidade humana instalada para usá-los. Em Río Cuarto, o cluster agrotecnológico contou que a primeira tentativa de se organizar em comissões não funcionou porque ninguém as liderava. E Joan Martí já tinha resumido de manhã, numa frase curta: primeiro as pessoas, depois a estratégia.
O meio é feito de relações. No primeiro dia, perguntamos se um cluster existe para vender ou para inovar. No segundo, quem cuida do que acontece depois do aperto de mão. O terceiro deu uma pista para as duas perguntas: o nível do meio não é feito de instituições vazias, e sim de relações que alguém decide cuidar e financiar. Pertencer a um cluster é fácil. Conectar, nem tanto.
O que muda para quem desenha programas
O seu programa financia projetos ou relações?
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