O Faro del Bicentenario visto de baixo, emoldurado por uma passarela curva de concreto do Centro Cultural Córdoba
Cuaderno de Córdoba · Dia 3 de 4 · TCI Global Conference 2026

Pertencer não é conectar

O terceiro dia do TCI falou de liderança, de governança e de tecnologia. Por baixo corria outra conversa: o que faz de um cluster algo mais do que a soma dos seus membros?

Leandro Pasini e Maria Augusta MiglinoCórdoba, 30 de outubro de 2026Leitura de 5 minutos

O TCI se instalou no Centro Cultural Córdoba, ao pé do Faro del Bicentenario: concreto, passarelas curvas e uma plenária que lotou cedo. Foi o dia dos grandes painéis, dos casos e da tecnologia. Mas a ideia que mais voltou não foi sobre inteligência artificial nem sobre financiamento. Foi sobre pessoas que se conhecem, ou que ainda não se conhecem.

O ponto cego. No Learning Journey do meio-dia, conduzido por Ulrich Harmes-Liedtke e Mónica Muñoz, da Mesopartner, o Córdoba Cluster contou o próprio caminho. Ele nasceu em 2001 com dez empresas de tecnologia que competiam entre si e decidiram cooperar. Hoje são mais de 300 membros, mais de 700 soluções, metade vendida para fora, e mais de 15 mil profissionais. E, mesmo assim, ao completar 25 anos, descobriram algo incômodo: quanto mais cuidavam das relações para fora, mais elas faltavam para dentro. Os próprios sócios mal se conheciam. A resposta foi o Pitch & Link, encontros em que as empresas se apresentam umas às outras e depois conversam em mesas. Primeiro a conexão; depois a confiança; só então uma agenda compartilhada.

A sessão deu nome a esse percurso. Há redes que defendem interesses juntas, redes que aprendem juntas e redes que inovam juntas, e cada passo pede mais confiança que o anterior. Quando a sala votou em que tipo de rede se reconhecia, quase um terço respondeu que não tinha certeza. Não é um dado ruim. É exatamente onde o trabalho começa.

O orçamento-chave é o do café: para que os líderes conversem, se conectem e criem confiança.

Joan Martí, ACCIÓ, na sua palestra sobre o modelo de clusters da Catalunha.

O que se financia. Joan Martí, da ACCIÓ, a agência de competitividade da Catalunha, chegou com 28 clusters e um alerta: sucesso não se mede pela quantidade. "Se tivéssemos 45, não seríamos mais felizes." No modelo dele, o financiamento é competitivo e por projetos, não pelo simples fato de existir. E a cooperação não é o objetivo: primeiro se entende para onde uma indústria precisa mudar, e depois se coopera para chegar lá. Por isso, disse, é difícil encontrar algo mais tedioso do que representar uma indústria, e algo mais instigante do que representar uma mudança nela.

À tarde, o programa de adoção de inteligência artificial da Província de Córdoba disse o mesmo com outras palavras. O programa une empresas produtivas a empresas de tecnologia locais para resolver problemas reais, e o que ele cofinancia não é o protótipo: é a relação, o encontro entre as duas. O que fica depois, se o encontro funciona, é uma aliança de longo prazo.

Pátio interno do Centro Cultural Córdoba, com colunas, passarelas de concreto e o Faro del Bicentenario ao fundo
O Centro Cultural Córdoba, sede da conferência. Foto: FuturAct.

Os problemas sobre a mesa. O TecnoManí, a iniciativa de inovação aberta do cluster do amendoim, começou por onde quase ninguém começa: em vez de mostrar seus casos de sucesso, as empresas puseram seus problemas sobre a mesa. Reuniram mais de 30, priorizaram 15 e abriram uma chamada para startups, empresas de tecnologia e pesquisadores. Um dos resultados já funciona numa planta: classificadoras com inteligência artificial que reduziram em 32% o consumo de energia. No México, um cluster viveu algo parecido a partir de um conflito. Uma empresa contratou o técnico que outra tinha formado durante dez anos. Em vez de proibir ou expulsar, o cluster reuniu quinze empresas do setor, entendeu que o problema era a falta de técnicos e criou um programa de formação. Hoje são 500 técnicos formados e uma escola técnica. A tensão virou capacidade.

Pessoas antes do dinheiro. De Huánuco, no Peru, veio a frase mais simples do dia: "O dinheiro é importante, mas as pessoas são mais." Havia recursos nacionais para inovar; faltava capacidade humana instalada para usá-los. Em Río Cuarto, o cluster agrotecnológico contou que a primeira tentativa de se organizar em comissões não funcionou porque ninguém as liderava. E Joan Martí já tinha resumido de manhã, numa frase curta: primeiro as pessoas, depois a estratégia.

O meio é feito de relações. No primeiro dia, perguntamos se um cluster existe para vender ou para inovar. No segundo, quem cuida do que acontece depois do aperto de mão. O terceiro deu uma pista para as duas perguntas: o nível do meio não é feito de instituições vazias, e sim de relações que alguém decide cuidar e financiar. Pertencer a um cluster é fácil. Conectar, nem tanto.

O que muda para quem desenha programas

Financiar a relação, não só o projeto.O encontro entre uma empresa com um problema e outra com uma solução é o que deixa capacidade instalada.
Começar pelos problemas.Uma agenda comum nasce do que as empresas não resolvem, não do que elas já fazem bem.
Medir conexões, não membros.Um cluster que cresce diz pouco se os sócios não se conhecem. O que importa é quem trabalha com quem.

O seu programa financia projetos ou relações?

Receba o Cuaderno de Córdoba e a Síntese TCI 2026

Ou siga a FuturAct no LinkedIn. O Cuaderno de Córdoba continua amanhã, com o dia 4.

Anterior: Dia 2Dia 3 de 4 · Todas as notasPróxima: Dia 4, em breve